(Des)conhecidas

O apartamento era grande. A maioria dos móveis brancos com detalhes em preto. Tudo combinando perfeitamente. Nas paredes, alguns quadros com borrões que não me diziam nada, mas não deixavam de ser bonitos. O sofá vermelho quebrava o gelo da ausência de cor do apartamento. A porta de vidro do lado esquerdo dava para uma sacada enorme, com uma vista perfeita.E era no sofá colorido que eu me encontrava. Estava numa festa pequena. Apenas pessoas conhecidas (embora eu não conhecesse ninguém) se encontravam para um jantar informal.De repente a porta principal foi aberta. Mais um convidado... Uma convidada.
Estava vestindo uma blusa preta com detalhes em branco (talvez pra contrastar com o apartamento), calça jeans apertada (talvez pra deixar bem claro o formato de suas pernas) e um tênis roxo (talvez pra quebrar o gelo da ausência de cor de suas roupas). O cabelo comprido estava solto e ia até o meio de suas costas. Usava pouca maquiagem. E nem precisava de mais. Estava linda. Era linda.Olhou em volta rapidamente, como se estivesse apenas reconhecendo o lugar. Depois olhou atentamente pra cada mulher que estava naquele cômodo. Olhava tudo, dos pés a cabeça, bem devagar. Algumas mulheres a olharam de volta, mas ela sequer esboçou um sorriso. Apenas olhava os pés, pernas, barriga, seios, pescoço, rosto, cabelos. Encarava poucos segundos e ia para a próxima.
Até que chegou a minha vez. E para o meu espanto, ela agiu diferente. Quando seus olhos passaram pelas minhas coxas, pude notar um sorriso. Quando chegou nos meus olhos, me encarou mais tempo que encarou as outras.Como era sexy. Não tinha como não olhar pra ela. O dono da festa nos apresentou. Ela pegou na minha mão, deu um beijo no meu rosto, disse o habitual “muito prazer”, e saiu.
Sentou relativamente longe. Não tirava os olhos de mim. Depois de um tempo, as pessoas começaram a sentar em volta da mesa. Era hora do jantar. Ficamos onde estávamos. Quando todos se acomodaram, ela fez um sinal com a cabeça. Entendi que era pra eu ir para um quarto que tinha ali do lado. Levantei, fui e fiquei atrás da porta. Ela veio em seguida, chegou, olhou em volta e não me viu. Fechei a porta e a encostei na parede. Nos beijamos como se o mundo estivesse acabando. As línguas agiam como se estivéssemos nos chupando. Eu estava de vestido, o que facilitou pra ela tirar minha calcinha e sentir como estava molhada.Fui literalmente atirada na cama, arranquei sua blusa e vi que estava sem nada por baixo. Seus seios eram grandes e mal cabiam na minha boca. Do jeito que eu gosto. Quando me dei por conta, ela já estava nua em cima de mim. Rasgou meu vestido e me penetrou como ninguém tinha feito. Seu dedo entrava forte em mim, me fazendo gozar várias vezes seguidas...

E foi aí que eu acordei...

Discutindo a relação

Odiamos traição. Ai, como odiamos. E não é que isso caiu no nosso namoro? Por causa de uma vadiazinha qualquer, a discórdia é implantada no relacionamento. A confiança não existe mais. E a dúvida chega... perdoar ou não perdoar? A primeira coisa que vem na cabeça é: não perdoarei nunca! Quero mais é que se dane. E é isso que tem que acontecer mesmo. Afinal, promessas foram feitas, planos foram traçados e momentos foram divididos. E parece que nada importou para a outra pessoa.
Um sábado de tarde... Era pra ser um dia de descanso, de carinho, de conversa. Mas não. Hoje foi um dia em que descobrimos a traição. E rimos mais do que nunca.
Oi? Não entendeu nada?
Olhe esse vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=Mo2HW4JmlGY

Primeiros passos para morarmos juntas

Queremos juntar dinheiro... ou melhor...temos que juntar dinheiro para unir nossos trapos ano que vem.Infelizmente só a Dani está trabalhando e eu não tenho um currículo que seja invejado por ninguém. Então só nos restou torcer, pensar positivo, rezar, fazer promessa e o escambau pra eu conseguir um emprego logo.E, olha que legal, consegui! Por intermédio total do meu pai e num lugar onde eu nem sei qual será a minha função direito, mas consegui. Dane-se se não tive méritos (notáveis). Meu maior mérito é ser filha de um cara influente, e já está de bom tamanho, no momento.Mas surgiram dois probleminhas junto com esse emprego:


1° - A Dani tem um horário privilegiado. Trabalha apenas de manhã e estuda a noite, mas nada impede que ela use a internet.Nos falamos o tempo todo e paramos só na hora de dormir. Nos acostumamos com isso. Nem pessoas casadas se falam tanto.Infelizmente, meu trabalho terá uma carga horária normal. Ficarei o dia inteiro fora e terei que dormir cedo.Não podemos fingir que esse fato não nos deixou um pouco sem chão.


2° - Não sei muito bem qual a minha função, mas sei que trabalharei com crianças carentes. Isso já foi o bastante pra Dani me chamar de Assistente Social o tempo todo (sendo que ela também trabalha com crianças carentes, não entendi a piadinha até agora).Nada contra os assistentes sociais, né amor? Achamos ótimo!

Só, digamos que muitas crianças no mesmo ambiente nos deixa meio desconfortáveis.


Enfim, o que importa é que agora nós duas trabalhamos, e ano que vem não seremos assistentes sociais. Assim espero.

DIA (in)ÚTIL


Hoje será um dia que nos lembraremos pra sempre ( até porque estamos postando aqui, se não, já era ). Provavelmente, nós inventamos um novo conceito de comunicação.

Passamos o dia inteiro juntas – naquelas condições, cada uma no seu devido estado – e não trocamos nenhuma palavra útil.

Nosso dia pode ser resumido assim:

- Oi, amor!

- Oi, minha vida!

Minutos de silêncio...

- Hahahahaha

- O que foi?
- Olha isso: qualquerbesteira.com.br

Silêncio...

- Hahahahaha, muito bom. Olha esse site: maisbesteira.com.br

Silêncio...

- Hahahaha...

Vários minutos de silêncio...

Deu pra entender, né? Passamos o dia inteiro ouvindo apenas as gargalhadas uma da outra. E pode parecer bobo, mas foi um dos melhores dias que tivemos.

Para: daiene...@gmail.com

Vim no ônibus hoje, lembrando do nosso primeiro beijo dentro do carro do Ju.
Ainda sinto meu coração acelerar, toda vez que lembro.
Sinto falta daquele beijo, sinto sua falta.
Fica boa logo, não aguento mais chegar e não falar com vc... Eu te amo tanto. Vc é minha vida. Quero ficar com vc pra sempre do meu lado.

Minha mulher... linda!

Para: danielle...@gmail.com

Pra variar, fico melosa e resolvo lotar a tua caixa de entrada com o meu mel.
E pra continuar variando, não tenho nada demais pra escrever, mas nós duas sabemos que acabo escrevendo linhas e mais linhas sobre o quanto eu te amo.
É que eu te amo tanto, minha vida, que eu sempre acho que tudo que eu falo ou faço é pouco demais.
Não adianta. Escrevo, escrevo e nunca consigo dizer o que quero.
Qualquer pessoa diria que é falta de amor próprio quando eu digo que te amo mais que a mim mesma.
Mas, é claro que a minha visão sobre o nosso amor é diferente da visão de qualquer ser humano.
Nós dizemos que somos uma só. Só que eu estava aqui pensando, e acho que tu é, mesmo, uma versão minha. Só que melhorada.
Muito melhorada.
Tu nasceu pra me ensinar. Hoje, vejo que não sabia absolutamente nada da vida.
Não sabia amar, não sentia prazer algum em viver, nunca fui estudiosa, fazia as coisas simplesmente por fazer, não me preocupava com a saúde (tem acento ainda? humm), enfim.
Tu está me ensinando a dar valor pra essas coisas, a correr atrás das coisas que quero, a acreditar em mim mesma...
Amo tanto esse cuidado que tu tem comigo. Essa preocupação mais que exagerada. Me sinto ainda mais amada.
O que é muito bom, nessa fase meio difícil que estamos passando (porque não passamos nada sozinhas, lembra?Estamos aqui pra nos ajudar).
Cada dia que passa, te amo mais. Tenho mais vontade de construir a nossa vida juntas, de ter o nosso sítio ( com as onças, peixes-boi, ursos panda, leões e o Valter ), de passar os nove meses com o nosso bebê na barriga e criá-lo depois, de continuar te amando todos os dias da minha vida.
Te amo demais! Não vejo a hora dos nossos sonhos se tornarem realidade. Não vejo a hora de ficarmos juntas pra sempre, sem ter que se preocupar com a " data do tchau ".
Ah, não vejo a hora mess!! :)

Beijo, minha linda! Meu eu-melhorado... meu tudo.

1º Dia dos Namorados...

Ah, o dia dos namorados...



Propagandas de presente para os apaixonados, programas de tv dando dicas de “como manter um relacionamento feliz” ou ainda de “como arranjar um relacionamento e ser muito feliz com ele”, hotéis e motéis fazendo promoções especiais para esse dia... e nós tentando achar o melhor jeito de fazer um sexo virtual que mais combine com essa data. Não é patético?Não! Não é patético.
Nos conhecemos sabendo que tem três estados entre nós, e agora temos que conviver com isso. E nós temos ótimas alternativas, como já dissemos em outro post. Temos a sorte de sermos abençoadas com uma imaginação bem fértil. O problema é quando a natureza resolve falar mais alto e a menstruação chega. Pras duas. No mesmo dia. Dois dias antes do primeiro dia dos namorados que passaríamos “juntas”.Tem como ter mais azar?Não teremos danças sensuais ou exibições diante das câmeras. Teremos, sim, longas conversas sobre como o nosso útero estará reagindo com os atroverans da vida. O que nos tranquiliza é que teremos mais uma vida de dia dos namorados, natais, reveillons e todas essas datas comemorativas pela frente. E com certeza, o próximo dia dos namorados será comemorado presencialmente, de baixo do teto da nossa casinha em Uberlândia.
Enquanto isso, vamos discutindo a eficiência dos remédios contra cólica.

E a Daia escreve...


Como dissemos no primeiro post, temos uma vida linda, engraçada, intensamente perfeita e trágica.
Mas como é possível ter uma vida perfeita e trágica ao mesmo tempo?
Pois é... decidi criar um post sozinha pra falar desses extremos que não nos abandonam.
O costume manda falarmos das coisas ruins primeiro, e é exatamente isso que vou fazer:

Moramos em estados diferentes, ela em Minas e eu no Rio Grande do Sul; estamos ha 7 meses juntas e nos encontramos apenas uma vez; quando os problemas surgem ( inevitáveis problemas ) não temos o colo que tanto precisamos; não importa o quanto a saudade nos machuque, não nos veremos no próximo fim de semana, nem no próximo; não ganharemos nenhum beijo por um bom tempo... a espera é de meses.

Essas são as piores e as que eu me lembro agora. Mas como tudo tem seu lado bom...

A cumplicidade que temos não foi conseguida depois de muito tempo, ela sempre existiu; esse único encontro durou 43 dias, então aproveitamos bastante; lemos os pensamentos uma da outra e sentimos quando a outra não está bem; temos certeza que os nossos planos se concretizarão ( e como fazemos planos ); brigamos pelas coisas mais ridículas possíveis e rimos depois; rimos da desgraça alheia; rimos de piadas idiotas; rimos das coisas que ninguém mais ri; rimos demais; conseguimos driblar a saudade e nos divertimos a km de distância; somos felizes juntas e todos notam como mudamos depois que nos conhecemos, enfim... nos merecemos. Fomos feitas uma pra outra e temos muita sorte de reconhecer isso.

Nanica, como eu já disse em vários e-mails, muito obrigada por existir.
Te amo mais que qualquer coisa.
Desde sempre, pra sempre.

Reencontro I



Sabe o que odiamos? A banalização de certas coisas. As palavras amor e ódio, por exemplo. As pessoas dizem: “Eu amo o meu cabeleireiro, ele é o melhor!”, até ele errar o corte. Aí a frase muda para: “Olha o que aquele filho da mãe fez com o meu cabelo. Odeio ele!”. Banalizaram, também, o namoro pela internet. Muita gente revirou os olhos e fez pouco caso do nosso namoro quando dissemos que nos conhecemos pela internet. Virou modinha. O que é uma pena, pois muitos casos são realmente verdadeiros. O nosso é um exemplo muito vivo, que fechou a boca dos que desacreditaram.


“E como começou?”, você deve – ou não – estar se perguntando.


Pois bem, foi em outubro de 2008. Entramos na comunidade da Ana Carolina (sim, aquela cantora que também foi banalizada, e quem fala dela, só lembra de mulheres beijando mulheres) e lá, havia um tópico com o título: “MSN da comunidade”, ou algo assim.Entramos no tal MSN, provavelmente no mesmo dia, mas demoramos pra conversar. Os assuntos eram basicamente sobre a cantora-que-calça-44, o que foi até divertido no começo, mas depois ficou um porre. Especialmente o dia que nos conhecemos. O assunto era entediante demais, até que:


( que se ) Dani diz: Vamos falar sobre sexo!


Menina chata diz: Aaaai, que horror.


Menina infantil diz: Kkkkkkkkkkkkkk


Daia diz: Vamos! Graças a Deus, alguém divertido!


Todas as meninas concordaram com a troca de assunto, tamanho foi o nosso empenho. Pediram pra criar um conto erótico. E...


Daia diz: Levei a Dani pro cantinho e ela me disse: morde?


O trocadilho com a música da cantora agradou a todas, especialmente a quem tinha que agradar, e o conto foi iniciado.É óbvio que não lembramos do conto (devíamos ter criado o blog antes), mas muitas coisas foram feitas, pode ter certeza. Deixe a sua imaginação fluir.Conversávamos com as meninas no chat, e em uma janela separada. E quando vimos, tínhamos abandonado o chat.Os assuntos simplesmente fluíam entre nós. E as coincidências foram surgindo. Dizíamos que não fomos feitas pra namorar, que enjoávamos das pessoas, que os outros diziam que não tínhamos coração.E diante disso tudo, um carinho imenso foi ativado, como se fosse um botão mesmo.Vimos que nossas histórias se pareciam demais, nos adicionamos no orkut, trocamos depoimentos, telefones, telefonemas.Tudo muito intenso. Tudo muito louco. Tudo muito lindo.Demoramos apenas 10 dias pra dizer a frase “Eu te amo”, e pode ter certeza que não a banalizamos. Foi verdadeiro, e até demorou pra ser dita, pois sabíamos que era amor desde o primeiro momento.

Daia, nega, gaúcha ou, simplesmente, ''mor''.


Daia!
Gaúcha de São Leopoldo, taurina ( entenda como "MUITO ciumenta!" ) com pouco orgulho. Tem pavor de baratas e acha as aranhas muito simpáticas. É educada, mas fala palavrão. Tem cara de arrogante, mas é capaz de passar a noite inteira conversando com bêbados na rua. Prefere usar um salto a usar um chinelo. Ama qualquer animal que possua pêlos, penas ou escamas. Dança como uma louca no quarto, mas precisa de algumas doses de whisky para se soltar numa festa. É a parte sensível da relação. Aquela que faz beicinho por 30 segundos antes de cair no choro porque a outra parte deu, sem querer, o tapa mais forte na brincadeira de lutinha.

Dani, nanica, mineira ou, simplesmente, ''mor''.



Dani!
Mineira de Centralina, é pisciana com muito orgulho e completamente fissurada com informática. Ama energético, macarrão e all star. Torce fervorosamente pelo São Paulo e não é nem um pouco disposta a manter uma amizade com alguém que deboche do seu time de coração. É filha única ( entenda como "extremamente mimada"! ). Tem uma certa aversão a cachorros adultos, gatos de qualquer idade e bichos que desconhece. Sincera ao extremo, sabe ouvir e não tem papas na língua. É a parte exagerada da relação. Aquela que faz tempestade em copo d'água e briga por horas porque a outra parte falou que ia fazer sol, mas choveu.

Esclarecimentos





Estamos criando o ''senfim'' sem saber que proporções irá tomar. E, sinceramente, se não tiver proporção alguma, a não ser nós mesmas lendo e relendo os textos, não ficaremos chateadas. Afinal, o propósito do blog é relatar o que acontece na vida de duas mulheres que se amam demais, mas tem um enorme problema: a memória.

Infelizmente, nós duas deixamos muito a desejar quando o assunto se trata de lembrar, seja lá o que for.

E nossa vida é tão linda, engraçada, trágica e intensamente perfeita, que não podemos mais nos esquecer dos detalhes. Queremos ler o blog daqui uns anos e sentir as mesmas coisas de novo e de novo.
... mas afinal, quem somos nós? (...)